Blog Alma Missionária

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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Escatologia - Sobre o fim do mundo! - IPDFImprimirE-mail
Cursos
Qua, 06 de Maio de 2009 11:13
Pe. Henrique Soares da Costa
            Este tópico deveria chamar-se “Escatologia”. Mas, se eu colocasse este título, quem iria lê-lo? Com o título que escolhi, tenho certeza que ninguém resistirá à curiosidade!
            O presente escrito é o primeiro de uma série que pretendo apresentar sobre a Escatologia, a parte da teologia que trata das “últimas coisas”, dos novíssimos, como se dizia antigamente... “morte, juízo, inferno e paraíso”. É assim que se aprendia no catecismo.
            Mas, para que possamos compreender bem a Escatologia cristã, é necessário, antes, entender uma coisa muito importante: o centro da esperança cristã é Cristo ressuscitado; assim, ele é também o centro de tudo aquilo que vamos afirmar nestes tópicos. Jesus é o centro da fé e da história humana: tudo quanto o Pai fez e pensou para a humanidade e o mundo foi através de Cristo e somente em Cristo terá sua realização (cf. Cl 1,15-20). Portanto, as coisas últimas que acontecerão nada mais são que o cumprimento amoroso daquilo que o Pai sonhou para nós desde o início em Cristo“Disse-me, então: “Está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, darei gratuitamente água da fonte da vida” (Ap 21,6). Jesus é, assim, o Fim (quer dizer, a Finalidade, Escaton, em grego) de toda a criação e de toda a humanidade: Jesus é o nosso único Futuro; Futuro certo, Futuro para o qual tudo quanto foi criado caminha: ele é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim!
            Este Futuro nosso, que é Jesus, tem quatro características:
·       É um Futuro Absoluto. Nós estamos acostumados com tantos futuros: todo dia planejamos e enchemos a agenda de compromissos; fazemos planos para o futuro. Os futuros que esperamos e planejamos podem acontecer ou não... e, se acontecerem, um dia vão virar passado. É, assim: de futuro em futuro, nossos futuros vão se tornando presentes e, depois, passados... Mas, quando dizemos que Cristo é um Futuro absoluto, estamos afirmando que ele vai acontecer de certeza porque tudo foi criado pelo Pai através dele e para ele. Cristo é o único Futuro certo da humanidade! E mais ainda: é o Futuro que nunca será passado. Quando ele vier, quando estivermos nele, seremos plenos; nós e toda a criação... para sempre!
Ele é um Futuro que vem. Este Futuro, que é o próprio Cristo, é vinda, é chegada! Nos nossos futurozinhos, somos nós que vamos até eles, eles estão sempre dentro do tempo: viram presente e depois passado. Nossos futuros vão sendo feitos de presente: com o presente vou plantando o futuro, vou caminhando para ele. Com Cristo não é assim: ele vem e vem trazendo algo novo: um mundo novo, uma vida nova, uma Glória sem fim, que vai transformar tudo! Ele será a Novidade que vai renovar toda esta velha criação, toda esta velha humanidade! Quando ele vier fará novas todas as coisas (cf. Ap 21,5). É por isso que não podemos nem pensar direito como será o final dos tempos e a Vida na eternidade: é Futuro novo, é algo muitíssimo diferente deste mundo que conhecemos. Não tem nada a ver com aquele céu boboca da novela “A Viagem”, nem com as coisas que a gente imagina. Por isso a Escritura exclama: “Santo, santo, santo
é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, que era, que é e que vem” (Ap 4,8). Não se diz: “Deus que era, que é e que será”, mas “Deus que vem!”... vem como novidade que enche de alegria a vida do mundo e a nossa, porque vem trazendo a graça e a salvação! Por isso mesmo Jesus ensinou a pedir no Pai nosso: Venha o teu Reino!” E a Bíblia  termina pedindo: “Vem Senhor Jesus!” (Ap 22,20).
·       Ele é um Futuro que já se faz presente. Este Futuro, que é Cristo, que será uma novidade linda para toda a criação, é também um Futuro já presente de modo misterioso. Ele está vivo, ressuscitado no nosso meio, agindo pela força do seu Espírito. Basta pensar na Eucaristia e nos demais sacramentos, na graça que Cristo derrama no nosso coração. Quantas vezes a gente experimenta o aperitivozinho do céu aqui na terra, quando experimenta a união com Cristo no nosso coração! Estar com Cristo agora é já o início do Futuro que virá!
·       Este Futuro exige uma resposta humana. Este Futuro que é Cristo, vem ao nosso encontro; mas nós também vamos ao encontro dele. Como? Respondendo-lhe “sim” na nossa vida! Cada escolha nossa, cada palavra, cada decisão, cada ato, é um “sim” ou um “não” a esse Futuro, a Cristo. Então, nossas ações neste mundo têm já um gosto de eternidade, preparam o nosso encontro com o Senhor que vem. Não existe ação neutra: é sim ou não ao Cristo que vem! 
Ainda uma coisa, para terminar: se Cristo é o nosso Futuro, o nosso Fim último, a nossa Finalidade, nosso Destino, nosso Porto, então, tudo aquilo que vai acontecer conosco e com o mundo, no final dos tempos, somente pode ser compreendido a partir de Cristo: ele é o Fim Último (Escaton) que dá sentido às “coisas últimas” (escatà). Por exemplo: só poderemos compreender o que é a morte, o céu, o inferno, o purgatório, o juízo, etc... se colocarmos tudo isto em relação com Cristo ressuscitado, nosso Destino! É isto que vamos fazer neste série de tópicos. Então a gente vai ver quanto é bela a esperança cristã!
Guardemos bem isto: a esperança cristã não tem outro objeto a não ser o próprio Deus, Futuro absoluto e definitivo do homem, que vem a nós em Jesus Cristo. Assim, podemos compreender as palavras de um grande teólogo deste século: “Deus é o fim último (Escaton) das criaturas: ele é o céu para quem o alcança, o inferno para quem o perde, o juízo para quem por ele é examinado, o purgatório para quem é por ele purificado... e tudo isto no modo em que ele dirigiu-se ao mundo, isto é, no seu Filho, Jesus Cristo, que é a revelação de Deus e, portanto, a síntese das coisas últimas!”
            Resumindo: nosso Fim é Deus que vem a nós em Jesus Cristo para nos salvar. Nele tudo se explica: o céu é estar com ele; o inferno é perdê-lo; o juízo é se ver na sua luz; o purgatório é ser purificado no seu amor e verdade! 
A Vinda do Senhor segundo o Antigo Testamento 
            Vimos, no tópico passado, que o Futuro que Deus prepara para o mundo todo e para os cristãos é o próprio Cristo: a criação toda caminha para ele, a história caminha para ele, nossa vida caminha para ele!
            No Credo nós professamos, conforme a Escritura, que o Senhor Jesus ressuscitado “está sentado à Direita de Deus Pai, donde há de vir em sua Glória para julgar os vivos e os mortos. E o seu Reino não terá fim”.
            Esta Vinda gloriosa de Cristo no final dos tempos é chamada de Parusia do Senhor. A palavra grega “parusia” era usada para significar a chegada solene do rei em uma determinada cidade. Quando ele chegava, provocava um ambiente de alegria e distribuía ao povo benefícios e alimentos em fartura. Os cristãos, ao pensarem na vinda do Cristo como Rei eterno, que virá trazendo a alegria da salvação final, deram a este último acontecimento da história humana o nome de Parusia do Senhor.
            A idéia de que haveria um Dia do Senhor já existia desde o Antigo Testamento. O povo de Israel sempre soube que o seu Deus era o Senhor dos tempos, Deus que age na história humana, levando o seu povo para um futuro sempre melhor e cheio de esperança. Se observarmos bem os textos do Antigo Testamento aparece claro que Deus sempre está prometendo ao seu povo um futuro de bênção e felicidade: ele é o Deus da Promessa, o Deus que nunca fica parado no presente, o Deus que sempre faz o povo caminhar ao encontro do futuro que o Senhor preparou, futuro sempre melhor, futuro de vida. Por isso mesmo aparece tanto nos profetas aquelas expressões: “eis que virá um tempo”, “eis que virão dias”, “naqueles dias”, “acontecerá no fim dos dias”... Assim, enquanto para os pagãos o tempo nunca mudava e tudo que já tinha acontecido ia continuar sempre acontecendo e o mundo não tinha jeito mesmo, para o povo de Deus a história do mundo e a história do povo de Israel caminham para um destino, uma finalidade, uma plenitude, que o próprio Deus prometeu e preparou! Bastava que o povo não se fechasse para Deus, que aceitasse caminhar com o Senhor. Isto é muito importante, pois fica claro que não existe destino: o homem é chamado a construir seu destino dizendo sim a Deus e caminhando para o futuro que ele lhe preparou. Cada pessoa é livre: pode dizer sim ou não ao convite de Deus!
            É assim que Israel vai tendo cada vez mais certeza de que Deus age na história, conduzindo todos os acontecimentos. O povo da Bíblia sabe que pode se confiar nas mãos do Senhor e esperar num futuro no qual Deus vai agir de modo pleno, com uma intervenção fulgurante, mudando toda tristeza do seu povo em alegria, toda opressão em liberdade, todo pranto em sorriso, toda morte em vida. Todo sofrimento do povo de Israel, todas as suas humilhações terão fim e Deus vai consolar para sempre o seu povo, numa nova situação, em que não haverá mais dor, opressão, pecado nem morte. Este futuro é conhecido, no Antigo Testamento, com o nome de Dia do Senhor. Será um Dia de Julgamento e de derrota para todo o pecado do mundo, para todo o mal praticado na história humana e um Dia de salvação e vitória para todos os amigos de Deus, particularmente para o povo de Israel. Por exemplo: “Os olhos orgulhosos do homem serão humilhados, e será abatida a arrogância humana; naquele Dia só o Senhor será exaltado. Porque é o Dia do Senhor Todo-poderoso contra tudo que é orgulhoso e arrogante, contra tudo que se exalta e que será humilhado (...); só o Senhor será exaltado naquele dia. Os ídolos desaparecerão completamente...” (Is 2,11s.18s). É importante observar que quando o Antigo Testamento fala desse Dia do Senhor usa comparações, imagens, figuras, metáforas, para ensinar que será um Dia solene e decisivo, Dia da verdade, Dia de julgamento, Dia que envolverá não somente a humanidade, mas toda a criação: “Tocai a trombeta em Sião, dai alarme em minha montanha santa! Tremam todos os habitantes do país, porque está chegando o Dia do Senhor! Sim, está próximo! É um Dia de trevas e escuridão, um Dia de nuvens e obscuridade”! (Jl 2,1s); “Colocarei sinais no céu e na terra, sangue, fogo e colunas de fumaça! O sol se transformará em trevas, a lua em sangue, antes que chegue o Dia do Senhor, grande e terrível”! (Jl 3,3s); “Eis que vem o Dia, que queima como um forno. Todos os arrogantes e os que praticam o mal serão como palha; o Dia que vem os queimará de modo que não lhes restará raiz nem ramo. Mas para vós que temeis o meu nome, brilhará o sol de justiça, que traz a cura em seus raios” (Ml 3,19s). Nestes textos, a imagem da trombeta significa solenidade, julgamento (pois os julgamentos e as entradas dos personagens solenes eram sempre anunciadas com o toque da trombeta), os sinais no céu e na terra são imagens para mostrar que esse Dia do Senhor terá importância para toda criação e o fogo recorda que o Senhor purificará sua criação de todo pecado e maldade. Trata-se de um tipo de linguagem chamado de linguagem apocalíptica, que descreve as coisas de modo bem estonteante, vivo, exagerado, em que o importante não são os detalhes, mas a idéia que as imagens querem transmitir!
            Mais uma coisa: aos poucos, os profetas vão descobrindo que este Dia do Senhor estará ligado à chegada de um personagem misterioso, chamado de Messias (= o Ungido de Deus) e, às vezes, de Filho do Homem: “Continuei a prestar atenção às visões noturnas, eis senão quando, com as nuvens do céu, vinha vindo um como filho de homem; ele avançou até junto do Ancião e foi conduzido à sua presença. Foram-lhe dados domínio, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam. Seu domínio é eterno e não acabará, seu reino jamais será destruído” (Dn 7,13-14). Esse Filho do Homem viria de junto de Deus (representado aqui pela imagem do Ancião, recordando a sua eternidade). Quando a profecia diz que ele vem sobre as nuvens, quer dizer que ele vem do mundo divino, que é alguém mais que um simples ser humano. Ele vem para estabelecer um reino eterno, reino de Deus, o Dia do Senhor! Assim, na esperança do povo de Deus, o Senhor mandaria Alguém, chamado de Messias ou Filho do Homem, um personagem misterioso, que traria consigo o Dia do Senhor.
            Então, resumindo: (1) o povo de Deus sempre soube que sua história estava nas mãos de seu Deus; (2) este Deus preparava para o seu povo um futuro de salvação, alegria, plenitude e paz, chamado Dia do Senhor, (3) este Dia será de julgamento para os maus e os opressores do povo eleito, um Dia eterno, de uma situação completamente nova, (4) este Dia será trazido pelo Filho do Homem, pelo Messias.
            No próximo tópico veremos o que o Novo Testamento ensinou sobre este Dia do Senhor. 
A Vinda do Senhor segundo o Novo Testamento - I 
            No tópico passado vimos que a Vinda do Senhor no final dos tempos é chamada de Parusia, que significa chegada, vinda de alguém importante e que traz consigo dons e bênçãos. Vimos também que já no Antigo Testamento Israel esperava pelo Dia do Senhor, Dia de salvação para os amigos de Deus e de julgamento para os maus. Este Dia do Senhor, anunciado pelos profetas, estava ligado à vinda de um personagem misterioso: o Messias, o Filho do Homem.
            O Novo Testamento continuou falando no Dia do Senhor, relacionando tudo a Cristo: é ele o Messias, o Filho do Homem prometido pelo Antigo Testamento. Para os cristãos, o Cristo que veio para salvar, voltará com glória para levar tudo à plenitude da salvação. Esta Vinda ou Manifestação do Senhor Jesus era chamada pelos cristãos e pelo Novo Testamento com o nome de Dia do Senhor ou Parusia do Senhor. Esta Parusia de Cristo será Dia de alegria, de plenitude, de consumação, de glória. Será também Dia da Aparição do Senhor, que vai revelar toda a sua glória, toda a vitória da sua Ressurreição; vitória sobre o pecado, o egoísmo e a morte! A Vinda do Senhor será, portanto, uma verdadeira manifestação: todo o mundo verá e reconhecerá, finalmente, a soberania de Cristo!
            Nos primeiros tempos da Igreja esta Parusia foi ardentemente desejada e pensada como algo iminente, que iria acontecer logo, a qualquer momento. Mas, por que esta pressa da Vinda de Cristo? O motivo era este: se Jesus ressuscitou e tudo lhe está submetido é normal que se pensasse que o domínio do Senhor devesse manifestar-se rapidamente: quem tem a alegria da salvação, deseja logo a sua plenitude; fica impaciente para estar na plenitude do Cristo ressuscitado. Assim, encontramos nos textos mais antigos do Novo Testamento afirmações dessa proximidade da Parusia: “Irmãos, não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para não vos entristecerdes, como os outros homens, que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morrerem. Eis o que vos declaramos conforme a palavra do Senhor: nós, que ficamos ainda vivos, não precederemos os mortos na vinda do Senhor. Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os vivos, que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares. Assim estaremos sempre com o Senhor” (1Ts 4,13-17).
É necessário fazer algumas observações sobre este texto:
·       Note-se que Paulo esperava para muito breve a Parusia; e não só: ele mesmo pensava que estaria vivo quando o Senhor viesse. Para ele, quem estivesse já morto ressuscitaria corporalmente e quem estivesse vivo seria transformado em Glória!
·       No entanto, é importante notar que Paulo não fazia cálculo algum... não fazia como as seitas nem como os videntes de fim de ano, contratados pelo “Fantástico” da Rede Globo! Não inventava datas para a Vinda do Senhor... somente esperava para logo... porque esperava ansiosamente, esperava com amor!
·       Quanto à linguagem que Paulo usa, é a linguagem apocalíptica, que exagera nas figuras e comparações: ele fala em “sinal”, em “som da trombeta”, em “voz do arcanjo”, em “ser arrebatado nos ares”, simplesmente para afirmar que nós seremos elevados até à Glória de Cristo Senhor. O som da trombeta significa que este momento será solene, como as chegadas dos grandes personagens e como os julgamentos: antigamente as trombetas soavam quando chegavam os reis e os juízes! Paulo, aqui, não quer descrever a Vinda do Senhor: é impossível fazer tal descrição porque o Dia do Senhor já não pertence a este mundo como nós conhecemos, mas será o começo de um mundo novo! Do mesmo modo a imagem do arrebatamento nos ares é somente uma imagem! As seitas se apegam a isto literalmente por pura e cristalina ignorância! 
O que era bonito nos cristãos é que eles não somente esperavam o Senhor, mas sobretudo desejavam sua Vinda. A primeira Comunidade cristã espera e deseja o Senhor na sua Parusia; tanto que exclamava freqüentemente: Marana thá! (= Vem, Senhor!) (cf. 1Cor 16,22; Ap 22,20). Portanto, é muito importante, para o cristão, viver no desejo da plena Manifestação do Senhor. A Liturgia latina exclama ainda hoje em cada Missa: “Anunciamos a vossa morte... vinde, Senhor Jesus!”
            Diante disto, uma questão pode ser colocada: os primeiros cristãos erraram, esperaram em vão ao pensar que o Senhor viria logo? Afinal, o tempo passou e o Senhor não veio! Para responder bem a esta questão é necessário primeiramente distinguir sentido cronológico e sentido teológico. É certo que, cronologicamente (ou seja, se olharmos o tempo contado pelos dias e anos), séculos já se passaram e o Senhor ainda não voltou; porém teologicamente (ou seja, do ponto de vista da fé), a certeza da manifestação de Jesus Cristo, o desejo dessa manifestação e a consciência de que ele é Senhor são tão profundas em nós e a sua salvação é tão presente na vida dos cristãos que, para nós a sua Vinda é algo próximo, que exige sempre de nós uma opção imediata, urgente, por ele em toda a nossa vida! A cronologia não é o mais importante! Sabemos que o Senhor virá e, nosso desejo é tanto que continuamos dizendo: ”o Senhor virá em breve: preparemo-nos! Sua Vinda é tão importante que o tempo é breve para nos converter!” É por isso mesmo que o Novo Testamento dá tanta importância à Parusia do Senhor, que levará tudo à plenitude. Tal expectativa revela o desejo e, ao mesmo tempo, a urgência da escolha - o tempo é breve!
            É interessante que já no tempo dos Apóstolos alguns cristãos começaram a perder o fervor porque o Senhor não voltava logo, Na sua Epístola São Pedro responde: “Deveis saber que nos últimos dias virão zombadores cheios de escárnio que vivem segundo suas próprias paixões, dizendo: ‘Onde está a promessa de sua vinda? Pois, desde que morreram os pais, tudo permanece igual desde o princípio da criação’. Mas há uma coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia. O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa de paciência para convosco. Não deseja que alguém pereça. Ao contrário, quer que todos se arrependam. Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão! Por isso, caríssimos, vivendo nesta esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre imaculados e irrepreensíveis na paz. E crede que a paciência do Senhor é para nossa salvação!” (2Pd 3,3-15). Notemos que Pedro dá ao problema do atraso da Parusia uma resposta em duas partes: (1) Para o Senhor um dia é como mil anos: é inútil fazer cálculos e esperar que o Senhor cumpra nossos cálculos! (2) Não se devem angustiar se o Senhor não chega; se ele tarda é para a nossa conversão!
            Resumindo o que vimos: 
·       Para nós, cristãos, o Senhor Jesus virá na sua Glória; é isto que chamamos Dia do Senhor.
·       Esta Vinda manifestará a todos que Cristo é o Senhor de todas as coisas e de toda a história humana.
·       Os primeiros cristãos esperavam para logo a Parusia do Senhor simplesmente porque amavam ardentemente o Cristo: quem ama, deseja logo a presença do Amado.
·       Os cristãos não faziam cálculo sobre quando o Senhor voltaria.
·       Como o Senhor não veio logo, os cristãos começaram a compreender que o importante é estar sempre preparados e desejando a Vinda do Cristo, aproveitando o tempo para a conversão. 
            No próximo tópico veremos o que acontecerá na Vinda do Cristo! 
A Vinda do Senhor segundo o Novo Testamento - II 
            Vimos, no tópico passado, que os cristãos esperam o Dia do Senhor, que será o Dia da Parusia, da Manifestação gloriosa de Cristo. Mas, em que consistirá esta Manifestação?
            Primeiramente é necessário deixar bem claro que o Dia da Vinda do Senhor não é um dia entre os outros dias: é o Dia, Dia que já não pertence à seqüência de dias do nosso modo de contar o tempo... não é um dia de 24 horas. O Dia do Senhor não pertence mais a este nosso tempo; é um Dia sem fim, um Dia eterno, um Dia que já não é mais iluminado pela luz deste sol, mas pelo próprio Sol de Justiça, Cristo gloriosos, pleno do esplendor do Espírito Santo.
            Assim sendo, duas coisas devem ser claras para nós:
· Não podemos marcar a data do Dia do Senhor: este Dia estará fora dos dias, meses e anos; já não pertence ao nosso tempo!
· Também não podemos descrever o que ocorrerá neste Dia. Isto por um motivo simples: este Dia pertence já à eternidade, à Glória e, assim, não pode ser descrito nem comparado a nada neste mundo! Quando a Escritura usa imagens para falar deste Dia, é somente para nos dar uma idéia distante daquilo que ocorrerá. Nós já escrevemos sobre isto no tópico passado... Querer descrever o final dos tempos é fundamentalismo tolo; é rebaixar o Dia eterno aos nossos pobres dias! 
Uma coisa é certa: o Senhor virá, glorioso, pleno do esplendor do Espírito Santo, que o ressuscitou dos mortos. A sua Vinda, que será Manifestação da sua Glória, terá conseqüências imensas: 
1) Primeiramente ficará clara, na Vinda do Senhor Jesus, sua relação com o Pai e o Espírito Santo, ou seja, aparecerá a Glória da Trindade que nos salva: é o Pai quem enviará o Cristo glorificado: “Virão da parte de Deus os tempos de refrigério e enviará aquele que vos é destinado: o Cristo Jesus” (At 3,20). O mesmo Pai que enviou o Filho a primeira vez, enviá-lo-á na sua Parusia, que é iniciativa salvífica do Pai que tanto nos ama! O Pai, que tudo criou pelo Filho e para o Filho e quer, através dele, tudo levar à plenitude, tudo glorificar (cf. Cl 1,16). Este Filho vem glorificado pelo Espírito que o Pai derramou sobre ele na Ressurreição (cf. Rm 1,3s). É o Espírito quem glorifica o Filho na sua natureza humana, morta e ressuscitada; é na potência do Espírito que o Cristo aparecerá diante do mundo com Senhor e Juiz. Ele vem, pleno do Espírito, para encher da Glória do Espírito todas as coisas: “A este Jesus Deus o ressuscitou. Exaltado pela direita de Deus, ele recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e o derramou” (At 2,32s; cf. Jo 14,26; 20,19-23); “Sucederá os últimos dias, diz o Senhor, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne”...(At 2,17). 
2) A Vinda do Cristo será também manifestação da Glória do Senhor ressuscitado. Desde a Ressurreição Jesus assume pleno domínio sobre todas as coisas, mas este domínio não se exerce ainda em toda a plenitude. Jesus já é o Senhor; a salvação já aconteceu; o seu domínio é real, mas não ainda plenamente manifestado. Quando ele se manifestar, então sim, tudo ser-lhe-á submetido para que tudo entre na Glória do seu Espírito e chegue até o Pai. A Parusia manifestará em toda a criação, e em nós, particularmente, aquela plenitude de Vida que, em Cristo, já é uma realidade plena: “Vi o céu aberto e eis um cavalo branco. Quem o montava chama-se Fiel e Verdadeiro e é com justiça que julga e faz guerra. Seus olhos são como chamas de fogo, traz na cabeça muitos diademas e tem um nome escrito que ninguém conhece, só ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue e seu nome é Verbo de Deus. Seguem-no os exércitos celestes em cavalos brancos, vestidos de linho branco puro. De sua boca sai uma espada afiada para ferir as nações. Deverá governá-las com cetro de ferro e pisar o lagar do vinho com o furor da cólera de Deus Todo-poderoso. Sobre o manto e sobre a coxa está escrito seu nome: Rei dos reis, Senhor dos senhores” (Ap 19,11-16). Neste texto aparece o domínio de Cristo sobre a história: ele é a realização da nova criação, gloriosa, feliz, livre do pecado. A nova criação coincide com a Vinda do Cristo: ele vem para trazer a glória da salvação, pois é e será sempre o Salvador: “Do mesmo modo também Cristo, que se ofereceu uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá, pela segunda vez, sem pecado para os que o esperam a fim de receberem a salvação” (Hb 9,28). 
3) A Vinda do Cristo será também glorificação e realização plena da Igreja. Se ela é o Corpo de Cristo, a Glória da Cabeça (Cristo) glorificará plenamente todo o Corpo. Esta idéia aparece muito clara no Apocalipse, onde a Igreja é apresentada como a Jerusalém gloriosa, toda enfeitada como Esposa do Cordeiro, toda pura e toda iluminada pela luz do próprio Cristo ressuscitado (cf. Ap 21). 
4) A Manifestação do Cristo será também glorificação do homem pela ressurreição. O cume da obra de Jesus e a plenitude da Igreja serão também a plenitude do homem: “Na verdade Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morrem. Com efeito, assim como por um homem veio a morte, assim também por um homem vem a ressurreição dos mortos. Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão. Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo, em seguida os que forem de Cristo por ocasião de sua vinda. Depois será o fim, quando entregar o reino a Deus Pai” (1Cor 15,20-24). 
A Vinda do Cristo será para nós Dia da Ressurreição, Dia em que todos ressuscitarão em seus corpos revestidos do mesmo Espírito que ressuscitou o corpo do Cristo! Assim, a Jerusalém celeste, que é a Igreja, estará plenamente gloriosa, com todos os seus filhos ressuscitados pela Glória do Espírito, todos como membros do Cristo no seio amoroso do Pai! 
            Este tópico ainda continuará no próximo número. Aí veremos o que acontecerá com a história humana e com toda a criação. Veremos também o que significa o juízo final, que ocorrerá na Vinda do Senhor!
A Vinda do Senhor segundo o Novo Testamento - III 
            Vimos, no tópico passado, que a Vinda do Senhor será ação salvífica da Trindade, plena manifestação da glória de Cisto, glorificação e consumação da Igreja e glorificação do homem pela ressurreição. Mas, não é só: a Parusia do Senhor não somente diz respeito ao homem considerado individualmente, mas será glorificação de toda a história humana. Cristo glorificado iluminará tudo aquilo que o homem realizou, de bom e de mal neste mundo! Aí, então, toda a história humana será passada a limpo e a justiça será feita: “Mostrou o poder de seu braço e dispersou os que se orgulham de seus planos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e os ricos despediu de mãos vazias. Acolheu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme o que prometera a nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre” (Lc 1,51-55). 
Esta verdade aparece de modo belo no Apocalipse, que apresenta o Cristo, Cordeiro imolado e ressuscitado, tendo nas mãos o livro da história humana. É ele, que na sua Vinda, desvendará o sentido último de todas as coisas (cf. Ap 5).
Além da história humana, todo o universo, toda a criação será transfigurada, plenificada pelo Espírito Santo que o Senhor Jesus derramará sobre tudo: “Vi um céu novo e uma terra nova, porque o primeiro céu e a primeira terra haviam desaparecido e o mar já não existia. Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu do lado de Deus, ornada como uma esposa se enfeita para o esposo. Ouvi uma voz forte do trono, que dizia: ‘Eis a tenda de Deus entre os homens. Ele levantará sua morada entre eles e eles serão seu povo e o próprio Deus-com-eles será o seu Deus. Enxugará as lágrimas de seus olhos e a morte já não existirá nem haverá luto nem pranto nem fadiga, porque tudo isso já passou’” (Ap 21,1-4). Portanto, a manifestação da Glória do Ressuscitado será também plena libertação da criação, lugar da história do homem com o seu Deus em Cristo: “Com efeito, o mundo criado aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois as criaturas foram sujeitas à vaidade, não voluntariamente mas pela vontade daquele que as sujeitou, na esperança de serem também elas libertadas do cativeiro da corrupção para participarem da liberdade gloriosa dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação até agora geme e sente dores de parto. E não somente ela mas também nós que temos as primícias do Espírito gememos dentro de nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção de nosso corpo” (Rm 8,19-23). 
Notemos que a Sagrada Escritura não anuncia a destruição do mundo, da criação, mas a sua transformação, a sua glorificação! A história humana terminará; terminará o tempo como nós conhecemos, toda a criação será glorificada - já não mais será assim, como a conhecemos agora. Poderíamos até afirmar, em certo sentido, que a criação toda ressuscitará, isto é, será glorificada! Passará para a plenitude de Deus e de seu Cristo glorioso na potência do Espírito. Há um texto na Escritura que parece afirmar a destruição de tudo pelo fogo: “Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão, e nele passarão com estrépito os céus, e os elementos abrasados se dissolverão e a terra será consumida com suas obras. Pois, se deste modo tudo vai desagregar-se, como não deveis perseverar em vossa santa conduta e em vossa piedade, aguardando e acelerando a chegada do dia de Deus, quando os céus em fogo se dissolverem e os elementos abrasados se derreterem?” (2Pd 3,10-12).  
Mas, se olharmos este texto com bem atenção não é bem assim: Pedro está comparando o fim de todas as coisas com o dilúvio (cf. v. 6): ora, no dilúvio o mundo não foi destruído pela água, mas purificado! O apóstolo quer ensinar que, pelo Espírito de Cristo, a criação toda será ainda mais plenamente purificada que na época de Noé, desta vez pelo fogo do Espírito de Cristo, que destruirá toda impiedade para sempre (cf. 2Pd 3,7). Notemos que o fogo purifica mais radicalmente que a água; por isso Pedro usa a imagem do fogo (a trata-se apenas de uma imagem)! Então, não será a destruição do mundo, mas sua purificação, sua glorificação. Pensemos no fogo que, em contato com uma barra de ferro, purifica-a e torna-a incandescente. É esta a imagem: um mundo purificado e transfigurado, impregnado da Vida do Cristo ressuscitado, que é dada pelo Espírito Santo! Passará este mundo como o conhecemos, e teremos - são palavras do próprio Pedro! - “novos céus e nova terra onde habitará a justiça!” (v. 13). Assim pensar em fim do mundo como destruição apavorante de tudo não está de acordo com as Escrituras! Deus não odeia nada do que criou: “Pois Deus não fez a morte, nem se alegra com a perdição dos vivos. Criou todas as coisas para subsistirem” (Sb 1,13s); “Sim, tu amas todos os seres, e nada detestas do que fizeste; se odiasses alguma coisa, não a terias criado. E como poderia subsistir alguma coisa, se não a quisesses? Ou como poderia conservar-se se não a tivesses chamado à existência? Porém, a todos poupas, porque te pertencem, ó soberano amigo da vida” (Sb 11,24-26). 
A Parusia do Senhor, será portanto, acontecimento de vida, plenitude, alegria! O Senhor consumará a obra de sua salvação!
Falta-nos ainda meditar sobre um aspecto desta Parusia: o juízo! Sim, o Senhor virá para julgar os vivos e os mortos. Este será o tema de nosso próximo tópico! 
A Parusia do Senhor e o Juízo Final 
            Várias vezes, nesta série de tópicos sobre Escatologia, tenho dito que tudo quanto acontecerá no final dos tempos está ligado à Manifestação ou Parusia do Senhor Jesus glorioso. Isto também vale para o que chamamos Juízo Final. Pensemos um pouco: a Parusia do Senhor será manifestação plena da sua Glória, do seu esplendor, da sua luz e, por isso mesmo, iluminará todas as coisas: a história humana e nossa história pessoal. Na luz de Cristo nós veremos claramente o que foi a história humana e o que foi a nossa vida: na sua luz veremos a luz! Jesus é o critério último, o ponto de referência de toda a humanidade; ele é o centro da vida do mundo e da nossa vida. Assim, saberemos o que vale o mundo e o que valeu a nossa vida quando estivermos diante da luz do Cristo glorioso! Ele é, ao mesmo tempo, juiz e critério de julgamento! No encontro com o Senhor confrontamo-nos, ao mesmo tempo, com nossa realidade. Jesus não aparecerá para, depois, julgar! Não! Sua aparição, sua luz, sua verdade, já serão, para nós juízo. Que fique claro: ele não aparecerá para, posteriormente, julgar; sua aparição mesma é juízo!
Em Mt 25 Jesus conta várias parábolas que mostram sua chegada como momento de julgamento: as dez virgens, que deverão ser examinadas pelo Noivo que chega, o homem, que viajando, na volta pede conta dos talentos aos empregados e o último julgamento, quando o Filho vier em glória e separar bons e maus, chamando a si os bons e apartando de si os maus. Repito: a ambigüidade da história desaparecerá à manifestação de sua luz - ele, que é o seu sentido último. Por isso mesmo, somente a Deus e a seu Cristo compete o julgamento (cf. Mt 13,24-30: a parábola do trigo e do joio), porque nenhum juízo humano atinge a realidade última das coisas e situações: somente Cristo revelará o íntimo das coisas e das pessoas: “Quanto a mim, mui pouco se me dá de ser julgado por vós ou por qualquer tribunal humano, pois nem a mim mesmo me julgo. Certo que de nada me acusa a consciência, mas nem por isso me creio justificado; quem me julga é o Senhor. Também vós, pois, não julgueis antes do tempo, enquanto não vier o Senhor, que iluminará os esconderijos das trevas e tornará manifestos os propósitos dos corações, e então cada um terá o louvor de Deus” (1Cor 4,3-5). Por outro lado, o juízo acontece a cada dia, na nossa atitude de acolhimento ou rejeição de Deus em Jesus Cristo presente no irmão (cf. Jo 3,18; 3,36; 5,24; Mt 25,31s), pois o Pai deu ao Filho ressuscitado todo o poder de julgar: “O Pai não julga ninguém mas entregou ao Filho todo o poder de julgar” (Jo 5,22). Este julgamento já começou, na potência do Espírito Santo, Espírito do Cristo ressuscitado, pois o Espírito vai mostrando ao coração daqueles que o acolhem que Cristo é o Salvador do mundo e que o mundo pecou ao rejeitá-lo: “Quando ele (o Espírito Santo) vier, convencerá o mundo quanto ao pecado, à justiça e ao julgamento. Convencerá quanto ao pecado, porque não creram em mim, quanto à justiça, porque vou para o Pai e já não me vereis; e quanto ao julgamento, porque o príncipe deste mundo já está condenado” (Jo 16,8-10). No entanto, na Parusia do Senhor o julgamento aparecerá claramente: todo o pecado do mundo, quer pessoal, quer coletivo, será para sempre desmascarado e eliminado!
O juízo tem, portanto, uma dimensão trinitária: o Pai entregou ao Filho o julgamento, que se dará na luz e na potência do Espírito! Em Cristo glorificado pelo Pai e pleno do Espírito, tudo será julgado!
            Já vimos que no Antigo Testamento aparece claro que haveria um Dia do Senhor, que seria Dia de Salvação, mas também Dia de Juízo. Este juízo é salvífico: Deus não vem para condenar, mas para salvar... agora quem se fechou para o Senhor, claro que ficará fora da salvação de Deus (cf. Sb 3,10 e também o capítulo 5). Neste sentido, o juízo final discriminará bons e maus: “Nesse tempo, muitos dos que dormem na terra poeirenta, despertarão; uns para a vida eterna, outros para vergonha, para abominação eterna. Então os sábios brilharão como o firmamento resplandecente, e os que tiverem conduzido a muitos para a justiça brilharão como estrelas para sempre” (Dn 12,2s).
            Para o Novo Testamento, como já foi dito acima, é nossa atitude em relação a Cristo nesta vida que definirá nosso destino: ele é o critério do juízo (cf. Lc 12,8ss; 9,26; 11,30; Mc 3,38; Mt 16,27). Em Jesus manifestar-se-á no fim dos tempos a justiça de Deus, que é de salvação, que nos justifica (cf. Rm 3,26): na cruz do nosso Juiz o príncipe deste mundo foi jogado fora (cf. Jo 12,21s). Sim, nunca nos esqueçamos: quem nos julgará é o nosso Salvador! Para Deus não é difícil unir justiça e misericórdia. Cristo nos julga salvando!
            A respeito do julgamento, alguns autores atuais falam em auto-juízo: na luz do Cristo nós mesmos nos julgamos. Tal expressão é ambígua: é correta se pensamos que, à luz de Cristo, nos veremos como somos e veremos nossa própria verdade; por outro lado, é errada se pensarmos que nós mesmo seremos nossos juizes! A clara consciência do que somos, sem máscaras e mentiras, faz-se somente à luz de Cristo! Não somos nós mesmos que chegamos a esta idéia clara do que fomos e somos: a realidade do mundo, da nossa vida e da história somente aparecerão quando forem iluminadas pela manifestação do Senhor Jesus.
Agora, pensemos bem: se na Parusia do Senhor será manifestado aquilo que fomos na nossa vida, é importantíssimo valorizar cada momento da existência! É esta minha vida que aparecerá diante do Cristo Jesus! O que estou fazendo dela?
Finalizando, devemos deixar claro ainda uma coisa: para a Sagrada Escritura, o mais importante é o Juízo Final, aquele, da Vinda do Senhor, quando toda a história e toda a humanidade serão passadas a limpo! Mas, isto não elimina a responsabilidade individual: cada um de nós comparecerá diante do tribunal de Cristo (cf. Rm 14,10) e haverá de responder por si. Fica, portanto, uma questão: como explicar juízo particular (no momento da morte) e juízo final? Não são dois juízos, mas dois momentos do mesmo julgamento: no momento da morte é a verdade da minha vida que aparece, no juízo final tudo quanto fui e fiz aparecerá dentro do contexto de toda a humanidade: verei, então, claramente, as conseqüências de todo o bem e de todo o mal que realizei ou deixei de fazer!
            No próximo tópico, começaremos a falar sobre a Ressurreição dos mortos!

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