Blog Alma Missionária

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

http://formacao.cancaonova.com/infografico/infografico-de-natal/#

No Ano da Misericórdia, Papa explicou alguns sinais que caracterizam o Ano Santo, como a prática do amor e do perdão


Jéssica Marçal
Da Redação
Papa Francisco durante a catequese de hoje / Foto: Reprodução CTV
Papa Francisco durante a catequese de hoje / Foto: Reprodução CTV
Na catequese desta quarta-feira, 16, o Papa Francisco falou de alguns sinais que caracterizam o Ano da Misericórdia: atravessar a Porta Santa, aproximar-se do sacramento da Confissão e amar e perdoar todos.
Francisco destacou que a misericórdia e o perdão não podem ficar reduzidos a belas palavras, devem ser exercidos na vida cotidiana. “Amar e perdoar são os sinais concretos e visíveis de que a fé transformou os nossos corações e nos permite exprimir em nós a própria vida de Deus”.
Acesse
.: Íntegra da catequese
Este grande sinal da vida cristã, segundo o Papa, se transforma em outros sinais que são característicos do Jubileu, como atravessar a Porta Santa, um sinal de confiança em Jesus que não veio para julgar, mas para salvar. E essa salvação é gratuita, ressaltou Francisco. “A salvação não se paga. A salvação não se compra. A Porta é Jesus, e Jesus é grátis”.
Atravessar a Porta Santa também significa uma verdadeira conversão do coração, disse o Papa. “Não teria muita eficácia o Ano Santo se a porta do nosso coração não deixasse Cristo passar (…) Como a Porta Santa fica aberta, porque é o sinal do acolhimento que o próprio Deus nos reserva, assim também a nossa porta, aquela do coração, esteja sempre escancarada para não excluir ninguém. Nem mesmo aquele que me incomoda, ninguém”.

Confissão

Outro sinal importante do Jubileu da Misericórdia é o sacramento da Confissão. Aproximar-se desse sacramento, disse o Papa, é fazer experiência direta da misericórdia de Deus. “Deus perdoa tudo. Deus nos compreende mesmo nos nossos limites (…) Quando reconhecemos os nossos pecados e pedimos perdão, há festa no Céu: Jesus faz festa”.
O Santo Padre lembrou que tão importante quanto pedir perdão a Deus é saber perdoar, embora essa não seja tarefa fácil. É preciso abrir-se para acolher a misericórdia de Deus para tornar-se capaz de perdão. “Portanto, coragem! Vivamos o Jubileu começando com estes sinais que comportam uma grande força de amor”.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

LITURGIA DIÁRIA


Conheça a história de São Canuto
Primeira Leitura (Hb 5,1-10)

Leitura da Carta aos Hebreus.
1Todo sumo sacerdote é tirado do meio dos homens e instituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. 2Sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. 3Por isso, deve oferecer sacrifícios tanto pelos pecados do povo, como pelos seus próprios. 4Ninguém deve atribuir-se esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão. 5Deste modo, também Cristo não se atribuiu a si mesmo a honra de ser sumo sacerdote, mas foi aquele que lhe disse: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”. 6Como diz em outra passagem: “Tu és sacerdote para sempre, na ordem de Melquisedec”.
7Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus. 8Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu. 9Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem. 10De fato, ele foi por Deus proclamado sumo sacerdote na ordem de Melquisedec.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

União Europeia discute luta antiterrorista

Ministros de 28 países se reúnem para discutir ações para combater jihadistas no território europeu.

A luta antiterrorista vai dominar nesta segunda-feira (19) a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) em Bruxelas, na Bélgica, poucos dias após uma grande operação policial para prevenir atentados na capital.

A questão já estava na agenda do encontro de chefes da diplomacia, antes da operação antiterrorista de quinta-feira (15) à noite na Bélgica – que resultou na morte de dois jihadistas e na detenção de 13 pessoas suspeitas de terrosrismo. Ela foi inscrita, no entanto, na ordem de trabalho, após os atentados da semana passada em Paris.

Ministros de 28 países vão discutir com a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, e com o coordenador antiterrorista da UE, Gilles de Kerchove, de que modo pode ser reforçada a luta contra o terrorismo jihadista, na sequência do ataque ao semanário francês Charles Hebdo.

Não são aguardadas decisões no encontro desta segunda-feira, sendo o principal objetivo uma primeira troca de opiniões, também com vistas à cúpula informal de chefes de Estado e de Governo da UE que ocorrerá no próximo mês e que será dedicada à luta contra o terrorismo.
Agência Brasil

´Selfie´ gera polêmica no Miss Universo

A foto entre a Miss Líbano e a Miss Israel caiu nas redes sociais imediatamente.

Beirute (AFP) - O concurso de Miss Universo ganhou tintas quase diplomáticas após o episódio deste domingo. A Miss Israel se intrometeu na 'selfie' da Miss Líbano, despertando a indignação da última.

"Desde que cheguei (a Miami, onde acontece a competição), tenho sido extremadamente cuidadosa para não aparecer em fotos nem me comunicar com a Miss Israel", contou Saly Greige, Miss Líbano, em sua página do Facebook.

Os dois países estão tecnicamente em guerra, desde o conflito de 2006 entre o movimento libanês Hezbollah e Israel, embora os combates tenham acontecido há décadas.

A Miss Líbano explicou que, no momento em que posava com a Miss Japão e com a Miss Eslovênia, Doron Matalon se aproximou e tirou uma fotografia com a sua câmara, postando-a imediatamente na rede social Instagram.

A 'selfie' foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais, dividindo os internautas libaneses a favor e contra a jovem.

A candidata israelense respondeu neste domingo no Facebook: "Não me surpreende, mas me entristece. Que pena que não se possa deixar as hostilidades de lado", escreveu.
 
AFP

Mais de 50% das crianças diz apanhar dos pais

Fantástico mostra, em primeira mão, os resultados de um estudo abrangente sobre os efeitos da violência na vida das crianças brasileiras.

O Fantástico mostra, em primeira mão, os resultados de um estudo abrangente sobre os efeitos da violência na vida das crianças brasileiras. O terror do tráfico e o abuso da polícia na rua; o castigo e a palmada dentro de casa sob o ponto de vista de quem tem entre 6 e 8 anos de idade.

Como meninas e meninos tão pequenos reagem a esse cotidiano violento?
O que é ter 8 anos e se arriscar só porque está brincando na calçada?
Menina: Vi muitas mortes e muito tiroteio. Aí minha avó não deixa eu ficar na rua por causa desses tiroteios.
Fantástico: Você já ouviu tiros?
Menina: Já.
O que é ter 7 anos e entrar em pânico ao visitar o pai?
Menina: Lá em cima, perto da casa do meu pai, tem vários bandidos.
Fantástico: É? Você tem medo?
O que é ter 6 anos e viver aterrorizada por quem nos deveria proteger?
Fantástico: E você tem medo da polícia?
Menina: Claro que tenho, né?
Fantástico: E tem medo por quê? Por que você tem medo da polícia?
Menina: Ela não dá tiro não, gente?
Fantástico: Dá tiro?
Menina: Claro que dá!
Pesquisa comprova que a violência urbana repercute dentro de casa

É a primeira vez que uma universidade brasileira faz um estudo sobre violência ouvindo crianças tão pequenas e com tanta profundidade. Financiada por uma fundação holandesa, uma equipe de cientistas da PUC do Rio Grande do Sul ouviu, durante dois anos, 540 crianças, a maioria entre 6 e 8 anos de idade, e também seus pais, irmãos e outros parentes.
Ao todo, 2.889 pessoas de 15 favelas e cortiços em três capitais - Recife, Rio de Janeiro e São Paulo - foram entrevistadas. “São dados extremamente desconfortáveis, mas são reais”, afirma Hermílio Santos, cientista social da PUC/RS.
A pesquisa que o Fantástico mostra, em primeira mão, comprova que a violência urbana repercute dentro de casa.
Mãe: Onde a gente se bate é um com um revólver na mão, outro vendendo uma droga, uma coisa e outra. Para quem é só fica difícil de criar seu filho, né? Vendo essas coisas, né?
Fantástico: Você não se sente segura onde você mora?
Mãe: Eu não. Nem um pingo.
A maioria absoluta das mães que veem alguém apontando arma de fogo sempre ou quase sempre admite punir severamente seus filhos pequenos sempre ou quase sempre. “Nós estamos falando do grito, do castigo, do bater e dar uns tapas”, explica Hermílio.
O castigo vem em primeiro lugar como método de correção. Mas não só aquele de sentar a criança em uma cadeira ou proibi-la de ver televisão.
Uma menina de 6 anos está acostumada à punição física.
Menina: Ela bota aquele caroço de milho e feijão e, por cima, ainda arroz. E me bota.
Fantástico: Você fica como? De joelhos?
Menina: É. Isso dói paca.
Fantástico: Dói? Tem marca no joelhinho? Essa marca é do milho?
Menina: É. Essa marca aqui é do milho?
Fantástico: E fica muito tempo?
Menina: Até de noite. Eu durmo com caroço de milho ainda.
Ao contrário do que se pensava, mãe é quem mais bate 

Bater no filho é o segundo método mais usado pelos pais. “Quando eu vejo que ela está querendo responder, aí não adianta mais colocar de castigo. Aí eu dou as tapas, depois de duas tapas vai para o castigo”, conta uma mãe.
No Rio de Janeiro, 71% das crianças de até 8 anos disseram já ter levado ao menos uma surra. No Recife, 75% delas. E em São Paulo, 57% disseram já ter apanhado.
Fantástico: Aquilo é um galho qualquer, né?
Menina: Não é um galho não.
Fantástico: O que é aquilo lá?
Menina: É vara. Meu pai que me bate com aquela vara ali. Aquela vara ali, atrás do muro. Aquela que é de marmelo.
Fantástico: Marmelo dói, né?
Menina: Marmelo? Pior que dói!
E começa quando eles ainda são bem pequenos. No Rio de Janeiro, 76% dos pais ou responsáveis admitiram bater em crianças de até 2 anos de idade. Em São Paulo, 83% disseram ter batido antes que seus filhos completassem 3 anos. E no Recife, 94% bateram em crianças antes dos 5 anos.
“Já com 1 ano de idade é muito frequente que as crianças sofram. Agora, o pico de violência sofrida pela criança entre 0 e 8 anos se dá entre 2 e 4 anos em todas as comunidades pesquisadas”, relata Hermílio.
Ao contrário do que se pensava, não é nem o pai nem o padrasto quem mais bate. A mãe aparece em primeiro lugar. Depois, a avó. “Não é que o homem seja pacífico e a mulher, violenta. Há uma hierarquia da prática da violência. Isso significa que o homem pratica mais violência contra a sua companheira, e esta por sua vez repassa a violência contra a criança”, explica o cientista social.
Outro mito desfeito: não é por ficar mais tempo com o filho que a mãe bate nele. “Só comparar, mãe que fica mais com mãe que fica menos, a que fica menos bate mais”.
Um dado curioso: em casas onde não há banheiro, ou têm um banheiro só, a criança apanha mais. “Por que isso? Porque o banheiro nessas comunidades é o único espaço da intimidade”, diz Hermílio.
Viver onde serviços são escassos interfere na qualidade de vida das crianças

A pesquisa constatou que viver em casas precárias e em comunidades onde os serviços são escassos em razão do abandono e da omissão histórica do Estado interfere na qualidade de vida das crianças. O que surpreendeu foi a percepção delas diante dessa realidade dura.
Quando os pesquisadores pediram às crianças que desenhassem o lugar em que vivem, as crianças desenharam casas coloridas, ruas limpas, espaço para brincar, família feliz, paz. O bairro ideal nascido na ponta do lápis desconcertou as próprias mães.
“O sonho deles. É o sonho das crianças que fosse daquele jeito que elas estão desenhando. Mas não é”, observa uma mãe.
“Você tem quase que uma glamorização e uma fantasia do ambiente, muito florido. Talvez seja o ambiente que elas gostariam que fosse”, diz Hermílio.
Mas essa percepção não lhes tira o senso de realidade e nem o desejo de morar em outro lugar.
Menina: Longe, longe, né? Tem que pegar um monte de ônibus, então vou de táxi.
Fantástico: Mas por que morar tão longe?
Menina: Porque eu quero. Porque lá não tem polícia.
Quando os pesquisadores perguntaram às crianças qual a principal forma de violência na rua, a maioria, nas três cidades pesquisadas, deu a mesma resposta: alguém sendo levado pela polícia.
Fantástico: Como é que a polícia fez?
Menina: Levou ele. Prendeu. Pronto. Só voltaram outro dia.
Fantástico: Mas bateu nele, não?
Menina: Bateu. Bateu na frente da minha tia ainda.
Fantástico: O policial? Bateu?
Menina: Veio guarda, veio polícia, veio bandido.
Método considerado mais eficiente para se proteger é cumprir a lei do silêncio

Para os pesquisadores, há uma consequência perversa em ações arbitrárias do Estado: a criança se confunde, e já não vê mais diferença entre atitude de policiais e bandidos.
“Esses papéis, eles não são muito nítidos: um é o portador da bondade e o outro, da maldade. Porque ambos, para elas, são capazes das duas coisas. Ambos podem proteger, mas ambos também podem punir de forma arbitrária”, avalia o pesquisador.
Outro dado alarmante: o método considerado mais eficiente para se proteger é cumprir à risca a lei do silêncio imposta pelo tráfico. “Como diz aquele ditado: fica surdo, mudo e cego”, diz uma das mães.
Menina: Porque criança não pode se meter não.
Fantástico: Criança não pode se meter, né? Por isso que você fica quietinha.
Menina: Sim.
Fantástico: Entendi.
Mas quem protege esta menina de 8 anos do trauma que sofreu ao ver um homem cair baleado diante dela?
Menina: Porque a cena que eu vi aí na frente eu não consigo nem lembrar.
Fantástico: É? Muito triste?
Menina: É.
Fantástico: A pessoa morreu?
Menina: Sim.
Fantástico: E você fica com isso na cabeça?
Menina: Fico.
Reduzir os assassinatos seria suficiente? Basta comparar Rio e Recife. De acordo com o Mapa da Violência divulgado no ano passado, com números de 2012, o Recife tem uma taxa de 52 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. O Rio de Janeiro tem uma taxa bem menor: 21,5 homicídios por 100 mil habitantes. Mas o percentual de mães que batem nos filhos nas duas capitais é quase o mesmo: 73% em Recife, e 71% no Rio.
“Reduzir criminalidade é muito positivo, extremamente positivo, mas não é suficiente para garantir um cotidiano pacífico para as nossas crianças”, alerta Hermílio.
O vazio de oportunidades de trabalho para mãe e a falta de creche para a criança expõe uma menina de 5 anos a passar parte do dia na rua, diante de uma atividade ilegal.
Mãe: Eu trabalho na banca de bicho. Eu levo ela de manhã para a escola. Ela larga de 11 horas, e eu venho para cá.
Fantástico: O que você fala para a sua filha sobre trabalhar na banca de bicho?
Mãe: Isso eu não cheguei a falar com ela não. Eu só digo a ela que vou trabalhar. Ela sabe que é um trabalho, mas não sabe o que é.
Quase 100% das mães ouvidas dizem que bater nos filhos não resolve nada

Ela diz que, de vez em quando, bate na menina, embora não acredite que dê muito certo.
Fantástico: Você disse que não funciona dar o tapa, né?
Mãe: Isso.
Fantástico: Mas você mesmo assim já deu?
Mãe: Já.
Fantástico: Por que você deu sabendo que não funciona?
Mãe: Porque... Rapaz, agora você me pegou!
Essa contradição é o resultado mais avassalador do estudo: 99% das mães ouvidas dizem que bater nos filhos não resolve nada. "Esse eu diria que é o dado mais positivo da nossa pesquisa e pode orientar muito concretamente ações. Se você quer fazer uma ação para reduzir violência, você vai perder tempo tentando convencê-las de que não pode bater. Por que isso elas já sabem, assim, que não leva a nada. Você tem que ensinar como fazer.”, afirma o cientista social.
Ensinar, no sentido mais nobre da palavra, talvez seja a chave. A pesquisa comprova que nas famílias em que um ciclo escolar se completa, seja o Ensino Fundamental ou Médio, os pais batem menos nos filhos. “Quando você se educa, vai à escola, você aumenta as suas expectativas de mudar de vida, de melhorar de vida”, diz Hermílio,
Sem limites para as asas que a educação dá. "O que eu quero ser quando eu crescer? Quero ser médica!", diz menina.
Aí quem sabe a violência e a morte deixem de ser rotina banal e luto precoce.

Menina: Eu chorei.
Fantástico: Mas é triste mesmo.
Menina: Morte é triste!
Fantástico: Morte é triste, é verdade.

Brasileiro executado na Indonésia acreditava que pena seria suspensa

Produtor trabalhava em documentário sobre a volta por cima de Archer.

Mãe de outro brasileiro condenado à morte faz apelo: ‘pagou o suficiente’.

O Fantástico entra no ar com a história de Marco Archer Moreira, um traficante brasileiro, condenado à morte, diante das leis e costumes da Indonésia.
A imprensa australiana divulgou uma cena, que é de um procedimento burocrático. Ela mostra um preso sendo chamado e informado sobre o processo dele. O que a cena fria não revela, mas qualquer um pode imaginar, é a angústia de um homem que teme ouvir: "Chegou a hora de morrer".
O trajeto até a ilha onde aconteceram as execuções deste sábado (17) é por uma estrada bastante estreita, cercada por campos de arroz. No transporte escolar, os alunos se amontoam no teto do ônibus.
O caminho de Marco Archer até à Indonésia começou em 2003. Os alertas estão em qualquer voo para a Indonésia. Nos cartões de imigração preenchidos por quem chega, letras grandes e vermelhas avisam: "Pena de morte para traficantes de drogas".
Em agosto de 2003, ele chegou de avião à capital Jacarta e desembarcou com 13,4 quilos de cocaína escondidos na armação de uma asa delta. Foi descoberto, preso e, em 2004, condenado à morte.
“Ele vivia aprontando. Foi expulso de várias celas.”, conta o músico Rogério Paez.
Por causa de um cigarro de haxixe, o músico Rogério Paez conviveu durante seis anos com Marco Archer em uma prisão Indonésia.
“Eu era um peixinho desse tamanho, o Marcos era um peixinho desse tamanho. Era só mega traficante chinês, nigeriano. Você olhava para o lado e eles te roubavam”, conta Rogério.
Rogério foi solto em 2011. “Quando eu tive que soltar ele dos meus braços para ir embora, a expressão dos olhos dele de ‘Rogerinho está indo embora’ foi uma cena que jamais vou esquecer”, lembra.
Durante dez anos, Marco acreditou que a pena seria suspensa.
O produtor e diretor de cinema Marcos Prado trabalha em um documentário que seria sobre a volta por cima de Marco Archer depois da prisão por tráfico. “Eu acreditava - tanto eu, quanto ele, quantos os amigos - que ele seria solto. Então eu conseguiria fazer um documentário que contasse um pouco da vida dele, essa experiência no presídio, essa experiência dramática de estar condenado a morte e conseguir sair”, afirma.
Mas em outubro de 2014, a mudança de governo na Indonésia selou o destino do brasileiro. O novo presidente, Joko Widodo, tinha prometido na campanha eleitoral aumentar a repressão ao tráfico.
A execução de Marco e de outros cinco traficantes foi marcada para o fim de semana.
A ilha de Nusakambangan é um paraíso ecológico que abriga quatro presídios, distante 400 quilômetros da capital.
Imagens de arquivo, antigas, da televisão da Indonésia mostram o local onde os condenados passam as últimas horas e. Em dias de execução, a movimentação em Nusakambangan não é de turistas, como costuma ser em fins de semana comuns.
Neste sábado, a todo momento saiam do porto parentes que estavam na ilha visitando os homens que serão executados. Em uma roda de jornalistas estava uma mulher, a esposa de um dos homens. Ela estava lendo a última carta do marido nigeriano, em que ele se queixa de que ninguém o ouvia. A mulher chorava durante a leitura.
Quando a equipe do Fantástico perguntou ao advogado do nigeriano se ele viu Marco Archer na prisão da ilha, ele diz que sim, que Marco ‘às vezes parecia nervoso, em outras ficava em choque, deitado’.
Perto da hora marcada, as balsas que partem para a ilha levam médicos e policiais. Faltava pouco. Quase sempre, as execuções acontecem à noite.
O condenado é acordado e levado para o local secreto onde será morto. Ele pode escolher se vai ficar em pé, sentado ou deitado. E também se quer ser vendado, encapuzado ou ficar de olhos abertos.
O chefe da brigada da polícia comanda um esquadrão com 12 soldados armados com rifles. Esses soldados, normalmente, são homens solteiros e sem filhos. Eles se posicionam a uma distância de cinco a dez metros do preso.
Os 12 atiram, ao mesmo tempo, no peito do condenado, mas apenas duas armas estão carregadas com balas de verdade. As outras armas estão com balas de festim, balas falsas, assim os soldados não sabem quem matou o condenado.
Se depois de levar dois tiros no peito, o condenado mesmo assim sobreviver, o chefe da brigada dá o tiro de misericórdia na cabeça.
“A minha vida não pode acabar dessa maneira. Uma maneira dramática, sendo fuzilado aqui na Indonésia”, disse Marcos em um telefonema.
Marco Archer Moreira morreu na Indonésia às 00h30, 15h30 de sábado, no horário de Brasília. De madrugada, o corpo dele chegou ao crematório.
As cinzas serão levadas pela tia dele para o Brasil. Muito abalada, ela não quis gravar entrevista.
Uma pessoa da família ou um representante precisa acompanhar a execução para reconhecer o corpo. Quem fez esse trabalho foi a vice-cônsul do Brasil em Jacarta, Ana Carmen Caldas. A pedido da tia de Archer, ela não quis comentar se houve um último desejo feito pelo brasileiro. Disse apenas que não ouviu choro ou desespero de nenhum condenado. E que no momento da execução havia um grande silêncio, quebrado depois pelo som dos tiros.
O plano do governo Widodo é executar cinco traficantes por mês. O governo indonésio pediu respeito às leis do país.
“O que nós estamos vendo é um crescente repúdio da comunidade internacional à adoção da pena de morte. Se deve sempre levar em consideração que a soberania não é um conceito absoluto, ela dialoga com os tratados internacionais, com os princípios acordados por diferentes pactos em relação aos direitos humanos”, afirma o diretor executivo da Anistia Internacional Átila Roque.
O mesmo governo que executa traficantes pede clemência para uma mulher indonésia condenada à morte por homicídio na Arábia Saudita. “É claro que isso é uma gritante contradição. Uma outra questão, no caso da Indonésia em particular, que vale a pena chamar a atenção, é que crimes muito mais graves na Indonésia, como atentados que mataram dezenas de pessoas, as pessoas responsáveis por esses atos foram condenadas a 20 anos, 20 e poucos anos de prisão, e não à morte”, ressalta Átila Roque.
O embaixador brasileiro na Indonésia, Paulo Alberto da Silveira Soares, foi chamado pelo Itamaraty, um sinal de insatisfação no meio diplomático. “Os parentes e membros da embaixada que estavam lá, dos outros países também, foi um tratamento incorreto, deselegante, impaciente, lá na prisão ontem”, afirma.
O governo da Holanda também convocou o seu embaixador.
“Esgotamos todo os mecanismos possíveis de assistência consular. Então, o desrespeito ao governo brasileiro na situação hoje parece grave”, ressalta Paulo Alberto da Silveira Soares.
No meio da crise entre os dois países, outro traficante brasileiro também está no corredor da morte. O paranaense Rodrigo Gularte, hoje com 43 anos, foi preso em julho de 2004 no aeroporto de Jacarta. Ele estava a caminho de Bali. Em uma entrevista gravada há cinco anos, e ainda inédita, a mãe de Rodrigo recorda como foi a despedida antes daquela viagem.
“Parece que ele estava prevendo alguma coisa. Na hora que eu fui levá-lo no aeroporto ainda, a última imagem que eu tenho dele, ele me abraçou muito e disse: ‘Mãe, eu te amo’. E na hora que ele foi assim, ele ainda me abanou e disse: ‘Mãe, não esqueça que eu te amo muito’”, contou Clarisse Gularte, mãe do paranaense.
Rodrigo levava seis quilos de cocaína escondidos em oito pranchas de surfe. Assumiu o crime e foi condenado à morte. Segundo a embaixada brasileira, a informação das autoridades da Indonésia é de que a execução pode acontecer nos próximos dois meses.
“Ele não tirou a vida de ninguém, e a gente torce para que ninguém tire a vida dele”, diz o amigo de Rodrigo Bernardo Guiss Filho.
A morte de Marco Archer aumentou a preocupação da família de Rodrigo, mas não tirou a esperança. Uma prima dele foi a Jacarta neste sábado na tentativa de visitá-lo na prisão e de pedir, mais uma vez, para que ele não seja executado. O segundo e último pedido de clemência para Rodrigo Gularte ainda não foi respondido pelo presidente da Indonésia.
Desde que Rodrigo foi preso, há mais de dez anos, a mãe dele, a Clarisse, já esteve oito vezes na Indonésia para visitar o filho na prisão e também na esperança de que ele ganhasse a autorização para retornar ao Brasil e poder cumprir a pena aqui.
Fantástico: A senhora esteve a última vez na Indonésia quando, dona Clarisse?
Clarisse Gularte: Em agosto.
Fantástico: E nessa última vez, vocês perceberam que ele estava diferente?
Clarisse Gularte: Não, essa última vez já foi um susto, porque a gente já tinha sabido, aqui no Brasil, que ele não estava bem de saúde. Mas sempre há aquela esperança, não, isso não é nada. Mas quando nós chegamos lá já disseram que ele estava na enfermaria.
Segundo a mãe, Rodrigo recebeu na prisão um diagnóstico de esquizofrenia, doença mental que provoca alucinações. De acordo com a embaixada brasileira, nesta segunda-feira (19) Rodrigo será examinado mais uma vez por um psicólogo na prisão.
“O objetivo é de transferi-lo da prisão para um hospital psiquiátrico, para que ele receba o tratamento adequado e para que ele possa, porque senão fica cada vez mais difícil. Eu reconheço que o Rodrigo errou, reconheço, mas acho que também a pena de morte... Não é um crime tão grave assim que ele fez. E ele está há mais de dez anos, eu acho que ele já pagou o suficiente. Então vamos nos apegar a isso, à esperança”, diz Clarisse Gularte
.

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